Esta quarta-feira (19) marca o Dia Nacional do Ciclista, data criada em memória do ciclista brasiliense Pedro Davisom, que morreu atropelado em 2006, aos 25 anos, enquanto pedalava pelo Eixão Sul, em Brasília. O acidente envolveu um motorista embriagado que dirigia em alta velocidade.
Mais do que celebrar o ciclismo, a data também chama a atenção para um problema enfrentado diariamente por quem utiliza a bicicleta como meio de transporte ou esporte: a segurança nas ruas.
Em Maracaju, ciclistas relatam problemas como falta de iluminação, ausência de espaços adequados para pedalar e desrespeito por parte de motoristas. Para quem utiliza a bicicleta no dia a dia, a sensação é de vulnerabilidade no trânsito.
A trabalhadora da área de higienização hospitalar Dirceia Lopes, de 34 anos, utiliza a bicicleta como meio de transporte. Para ela, Maracaju ainda está longe de ser uma cidade segura para os ciclistas.
"A maioria dos motoristas não respeita quem está de bicicleta, ainda mais em tempo de chuva. Eles esquecem que estão de carro e quase passam por cima de quem está pedalando"
afirma.
Dirceia também já passou por situações de risco no trânsito. Em uma delas, quase foi derrubada por um veículo.
"Uma vez eu estava andando pela rua e um carro quase me derrubou ao abrir a porta".
relata.
Segundo ela, a estrutura oferecida aos ciclistas também deixa a desejar.
"A estrutura na cidade é péssima, não tem uma boa iluminação e nem mesmo segurança para nós que pedalamos."
Ciclistas também enfrentam dificuldades durante a prática esportiva
A bicicleta, porém, não é utilizada apenas como meio de transporte em Maracaju. A cidade também reúne ciclistas que praticam o esporte e participam de competições na região.
É o caso de Ramona, de 70 anos, que trabalha como vendedora e pedala tanto dentro da cidade quanto pelas rodovias do entorno de Maracaju.
Assim como Dirceia, ela considera a segurança um dos principais problemas enfrentados por quem utiliza a bicicleta.
"Ninguém respeita ciclista. E também... iluminação. É muito ruim pedalar à noite. E não tem onde andar também. Só tem um lugar para pedalar aqui em Maracaju, a Avenida Mário Corrêa. Só que as pessoas usam para caminhar, então temos que pedalar nas ruas"
afirma.
Para Ramona, a falta de iluminação aumenta ainda mais os riscos durante os treinos e deslocamentos.
"Os motoristas não respeitam nós que andamos de bicicleta pela cidade. Nós andamos bem na rua, junto com os carros, mas ninguém respeita a gente."
Paixão pelo ciclismo há 15 anos
Ramona pratica ciclismo competitivo há 15 anos. Ao longo desse período, também levou os filhos para os pedais e chegou a percorrer longas distâncias de bicicleta, incluindo trajetos entre Maracaju e Vista Alegre, que podem chegar a 100 quilômetros.

Integrante do grupo Dente de Leite, ela guarda com orgulho as medalhas conquistadas nas competições e vê a bicicleta como uma ferramenta de saúde e qualidade de vida.
"A bicicleta é tudo na minha vida, é saúde, é tudo. Sempre que eu posso, eu levo pessoas comigo e incentivo as pessoas a ir. Algumas vezes elas vão, participam e depois não voltam, mas eu continuo tentando."
Cobrança por mais apoio do poder público
Além das dificuldades encontradas nas ruas, Ramona também reclama da falta de apoio do poder público para o ciclismo em Maracaju.
"Nós somos esquecidos por eles. Tivemos um campeonato recentemente, e apenas um vereador de Maracaju estava presente. Seria importante termos o apoio do poder público para aumentar a visibilidade do ciclismo como esporte"
afirma.
O que a legislação diz sobre ciclistas?
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece direitos e deveres relacionados à circulação de bicicletas e à convivência entre ciclistas e motoristas.
Entre as regras estão a preferência e a proteção aos usuários mais vulneráveis no trânsito, além da obrigação dos motoristas de manter distância segura ao ultrapassar bicicletas.
Distância de 1,5 metro
Durante a ultrapassagem de uma bicicleta, o motorista deve manter uma distância lateral mínima de 1,5 metro. O descumprimento da regra é considerado infração de trânsito.
Redução da velocidade
Também é obrigação do motorista reduzir a velocidade de forma compatível com a segurança ao ultrapassar um ciclista.
Circulação pelas ruas
Quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, o ciclista pode utilizar a pista de rolamento, observando as regras de circulação e o sentido estabelecido para a via.
Conversões e cruzamentos
Ao realizar conversões ou retornos, o motorista deve respeitar a preferência do ciclista que estiver transitando pela via, conforme as regras previstas no CTB.
Bicicleta e pedestre
Quando o ciclista desmonta da bicicleta e passa a empurrá-la, ele é equiparado ao pedestre para fins de circulação, passando a ter os direitos e deveres correspondentes.
Mais do que esporte, uma questão de segurança
Os relatos de quem pedala em Maracaju mostram que o ciclismo vai muito além da prática esportiva. Para muitos moradores, a bicicleta é um meio de transporte, uma atividade de lazer e também uma forma de cuidar da saúde.
Neste Dia Nacional do Ciclista, as reclamações sobre falta de estrutura, iluminação e respeito no trânsito reforçam a necessidade de discutir como tornar as ruas mais seguras para quem escolhe pedalar.
O que diz a GEMUTRAN
A reportagem do Hoje Cidades entrou em contato com a Gerência Municipal de Trânsito (GEMUTRAN) de Maracaju para buscar informações sobre a segurança e a estrutura das ciclovias da cidade. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve retorno por parte do órgão.