O Centro-Oeste deve enfrentar uma semana de tempo seco, temperaturas elevadas e baixa umidade do ar entre os dias 19 e 26 de agosto. O cenário favorece a reta final da colheita do milho segunda safra, mas exige atenção dos produtores com áreas mais tardias, pastagens e rebanhos.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 84,7% da área destinada ao milho segunda safra no país já havia sido colhida. Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, com produtividades acima das estimativas iniciais em diversas áreas.
Em Goiás, a colheita avança principalmente nas regiões norte e leste, enquanto o sudoeste se aproxima do fim dos trabalhos. Em Mato Grosso do Sul, as chuvas recentes reduziram o ritmo das máquinas em algumas regiões, mas a previsão de tempo firme deve permitir a retomada e aceleração das operações.
A ausência de chuva também pode favorecer a secagem natural dos grãos, aumentando as janelas disponíveis para a colheita e reduzindo a necessidade de secagem artificial. Por outro lado, áreas mais tardias, ainda em fase de enchimento dos grãos, ficam mais expostas ao calor, à baixa umidade e à falta de água no solo.
Nessas condições, o aumento da evapotranspiração pode elevar a demanda hídrica das plantas e comprometer o peso final dos grãos, com impacto no potencial produtivo.
Pastagens e rebanhos também exigem atenção
O período seco também aumenta os desafios para a pecuária. A falta de chuva reduz a rebrota das pastagens, diminui a oferta de forragem e pode comprometer a qualidade nutricional do alimento disponível aos animais.
Com isso, produtores podem precisar ampliar a suplementação alimentar e redobrar o controle da lotação das áreas de pastagem.
De acordo com a previsão baseada no modelo COSMO, os volumes de chuva acumulados nos próximos sete dias devem ser baixos e pontuais, com maior possibilidade de precipitação no extremo sul de Mato Grosso do Sul. No restante do Centro-Oeste, a tendência é de predomínio de tempo estável, sob influência de uma massa de ar seco.
Temperaturas podem passar de 40 °C
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas máximas devem variar entre 34 °C e 38 °C em grande parte do Centro-Oeste. Em algumas áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso, além do norte de Mato Grosso do Sul, os termômetros podem superar os 40 °C.
A umidade relativa do ar também deve ficar baixa. Os índices podem cair abaixo de 20% em áreas do norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e em setores de Mato Grosso, principalmente durante a tarde.
Além dos impactos sobre as lavouras e os animais, o cenário aumenta o risco de incêndios. O calor e a baixa umidade reduzem a umidade da vegetação e da palhada deixada após a colheita, favorecendo a propagação de focos de fogo em áreas agrícolas e pastagens secas.
Estado de Mato Grosso do sul
Em Mato Grosso do Sul, o cenário de calor e tempo seco também merece atenção. A previsão climática elaborada pelo CEMTEC/SEMADESC para o trimestre de junho a agosto apontou tendência de chuvas distribuídas de forma irregular e temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica. O órgão também destacou o risco de períodos de calor mais intenso e impactos sobre os setores agropecuário e hídrico.
Para agosto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também projetou temperaturas acima da média em grande parte de Mato Grosso do Sul, com desvios que podem chegar a até 2 °C acima da climatologia em boa parte do Estado. A previsão reforça o cenário de calor observado durante o mês e ajuda a explicar a preocupação com a manutenção de baixos índices de umidade.
O Inmet já havia registrado, ao longo de agosto, episódios de calor intenso e baixa umidade na região Centro-Oeste. Em 10 de agosto, por exemplo, o instituto registrou temperaturas superiores a 40 °C em municípios da região central do país e destacou a atuação de uma massa de ar quente e seco. Nos dias seguintes, o órgão continuou monitorando temperaturas elevadas e a possibilidade de onda de calor em partes do Centro-Oeste.
Em Maracaju, as condições de tempo devem continuar sendo acompanhadas de perto pelos produtores, principalmente por causa dos reflexos sobre as lavouras em fase final de ciclo, pastagens e risco de incêndios. A combinação de calor, baixa umidade e pouca chuva aumenta a necessidade de atenção com a disponibilidade de água no solo e com a propagação de focos de fogo em áreas rurais.
A tendência, portanto, é de manutenção do tempo seco e de temperaturas elevadas em boa parte de Mato Grosso do Sul, embora mudanças nas condições atmosféricas possam provocar queda nas temperaturas e aumento pontual da possibilidade de chuva. Para os moradores de Maracaju e da região, o acompanhamento diário das atualizações do Inmet e do CEMTEC é importante, já que a previsão pode sofrer alterações conforme a aproximação de novas áreas de instabilidade.