“Nem sempre o sofrimento aparece”: psicólogo orienta sobre sinais de alerta e prevenção ao suicídio
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, Djhonatan Lucas Soares explica como identificar mudanças de comportamento, conversar com alguém em sofrimento e buscar ajuda em situações de risco.
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 10/09/2026 11:18
Saúde

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, conversamos com o psicólogo Djhonatan Lucas M. Soares, que explica como identificar mudanças de comportamento, abordar alguém em sofrimento e buscar ajuda em situações de risco

Nesta quinta-feira (10), o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio reforça a importância de falar sobre saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e, principalmente, saber como agir quando alguém próximo não está bem.

Para o psicólogo Djhonatan Lucas M. Soares (CRP 14/08240-9), um dos principais desafios está justamente em perceber que nem sempre uma pessoa em sofrimento demonstra claramente o que está vivendo.

“Algumas pessoas conseguem manter trabalho, estudos, relacionamentos e até demonstrar bom humor enquanto enfrentam uma dor psicológica muito intensa”

explica o profissional.

Segundo Djhonatan, mudanças bruscas no comportamento devem ser observadas com atenção. Entre os sinais estão isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram importantes, alterações no sono e no apetite, descuido com a própria rotina, irritabilidade intensa e aumento no consumo de álcool ou outras substâncias.

Também merecem atenção falas relacionadas à morte, ao desaparecimento ou à falta de sentido na vida.

“Não devemos interpretar como drama”

Frases como “não aguento mais”, “queria desaparecer” ou “minha vida não faz sentido” devem ser levadas a sério, segundo o psicólogo.

Para ele, esse tipo de manifestação não deve ser automaticamente interpretado como drama ou como uma tentativa de chamar atenção.

“Muitas vezes são uma forma de comunicar que aquela pessoa está chegando ao seu limite emocional”

afirma.

Nessas situações, a orientação é acolher, ouvir e procurar entender o que está acontecendo. Quando houver suspeita, também é possível perguntar diretamente sobre pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio.

Perguntar não “coloca a ideia na cabeça”

Uma das dúvidas mais comuns quando o assunto é prevenção é se perguntar diretamente a alguém sobre pensamentos suicidas poderia piorar a situação.

Segundo Djhonatan, não.

“Perguntar diretamente não coloca a ideia na cabeça da pessoa. Pelo contrário, pode abrir espaço para que ela fale sobre algo que talvez esteja enfrentando em silêncio”

explica.

A abordagem, porém, deve ser feita com calma, respeito e sem julgamento.

Uma conversa pode começar de maneira simples, como:

“Percebi que você não está bem e estou preocupado com você. Quer conversar?”.

Mais do que encontrar a frase perfeita, o importante, segundo o profissional, é demonstrar disponibilidade genuína para ouvir.

O que não dizer para quem está sofrendo

Durante uma conversa com alguém em sofrimento, algumas respostas podem acabar minimizando aquilo que a pessoa está sentindo.

Frases como “isso é falta de Deus”, “para de frescura”, “você tem que ser forte”, “tem gente com problemas muito maiores”, “isso é só uma fase” ou “pense positivo” devem ser evitadas.

Também não é recomendado culpabilizar, ameaçar ou minimizar o sofrimento.

“O que a pessoa precisa é sentir que pode falar sem ser julgada”

destaca o psicólogo.

Quando procurar ajuda profissional?

Nem toda tristeza significa que uma pessoa está enfrentando uma crise. Segundo Djhonatan, é importante observar principalmente a intensidade, a duração e o impacto do sofrimento na vida cotidiana.

Quando o sofrimento persiste ou se intensifica e começa a interferir no trabalho, nos relacionamentos, no sono ou no autocuidado, é importante buscar avaliação profissional.

A atenção deve ser ainda maior quando existe desesperança ou pensamentos relacionados à morte.

O psicólogo também reforça que procurar ajuda não deve ser visto como sinal de fraqueza.

“Psicoterapia é uma forma de cuidado e pode ser procurada antes mesmo de uma pessoa chegar a uma situação de crise”

afirma.

Problemas do dia a dia também podem pesar

Dificuldades financeiras, conflitos familiares, desemprego, violência, perdas, traumas, doenças e solidão podem contribuir para o sofrimento psicológico.

Isso não significa que essas situações necessariamente levarão uma pessoa a uma crise, mas, de acordo com o profissional, o estresse prolongado pode aumentar a sensação de impotência e desesperança, principalmente quando não existe uma rede de apoio.

Por isso, Djhonatan destaca a importância de olhar para a pessoa de maneira integral.

“Não existe uma única causa. Aspectos individuais, familiares, sociais e econômicos podem se combinar”

explica.

Redes sociais também exigem atenção

As redes sociais podem ter efeitos positivos, como conexão e apoio, mas também podem afetar a saúde mental quando utilizadas de maneira prejudicial.

Entre os fatores apontados pelo psicólogo estão a comparação social, a exposição constante a padrões idealizados de vida, o cyberbullying, o excesso de informação e a dificuldade de se desconectar.

O impacto, segundo ele, depende de como, quanto e para que cada pessoa utiliza essas plataformas.

O que fazer diante de uma situação de risco?

Quando existe risco imediato de suicídio ou de a pessoa provocar uma lesão, a prioridade deve ser a segurança.

A orientação é não deixar a pessoa sozinha, procurar atendimento de urgência e reduzir, quando possível e com segurança, o acesso a meios que possam ser utilizados para provocar uma lesão.

Também é importante acionar pessoas de confiança e os serviços de saúde.

De acordo com Djhonatan, situações que envolvam intenção ou plano de suicídio, tentativa recente, risco de a pessoa se machucar ou alteração importante do estado mental exigem atendimento imediato.

“Nesses casos, não devemos esperar a situação ‘passar’”

alerta.

O profissional ressalta ainda que a responsabilidade pela crise não deve ficar concentrada em uma única pessoa. A presença de alguém de confiança é importante até que o atendimento adequado seja realizado.

Onde buscar ajuda em Maracaju?

Em Maracaju, pessoas que estão passando por sofrimento emocional podem procurar o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), apontado pelo psicólogo como serviço de referência para o cuidado em saúde mental.

Também é possível buscar atendimento pela rede pública de saúde, incluindo as unidades básicas de saúde.

O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece escuta e apoio emocional gratuitamente pelo telefone 188. O serviço, porém, não substitui um atendimento de emergência quando existe risco imediato.

Em situações de emergência, a orientação é procurar atendimento de urgência e não deixar a pessoa sozinha.

“Sofrimento psicológico não é frescura”

Para o psicólogo Djhonatan Lucas M. Soares, a prevenção também passa por aprender a olhar além daquilo que uma pessoa demonstra externamente.

“Às vezes, aquela pessoa que está trabalhando, sorrindo e dizendo que está tudo bem pode estar enfrentando uma dor que ninguém conhece”

afirma.

Por isso, uma pergunta aparentemente simples pode abrir espaço para uma conversa importante.

“Perguntar ‘como você está?’ e realmente estar disposto a ouvir pode fazer diferença”

destaca.

O profissional deixa ainda uma mensagem para a população:

“Sofrimento psicológico não é frescura e pedir ajuda não é sinal de fraqueza.”

Segundo ele, a empatia e a disposição para se colocar no lugar do outro são fundamentais.

“Quanto mais cedo uma pessoa recebe acolhimento e cuidado, maiores são as possibilidades de atravessar aquele momento com segurança.”

O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece escuta e apoio emocional gratuitamente pelo telefone 188. Para entender melhor como funciona o serviço e em quais situações ele pode ser procurado, o Hoje Cidades já explicou como funciona o atendimento do CVV e como buscar ajuda, confira na matéria abaixo:

https://hojecidades.com.br/campanha-do-setembro-amarelo-2026-do-cvv/ 

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