Enquete mostra que 72% dos participantes teriam dificuldade ou não conseguiriam passar um dia sem carro ou moto em Maracaju
Resultado de enquete do Hoje Cidades reacende debate sobre mobilidade urbana, calçadas e as condições para quem precisa se deslocar pela cidade a pé
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 24/09/2026 11:23
Cidades

A pergunta parecia simples: “Você conseguiria passar um dia sem usar carro ou moto?”. Mas a resposta dos moradores que participaram da enquete realizada pelo Hoje Cidades no Instagram mostra que abrir mão dos veículos, mesmo por apenas um dia, pode ser um desafio para boa parte da população de Maracaju

Entre os participantes, 48% disseram que não conseguiriam passar um dia sem carro ou moto porque utilizam os veículos todos os dias.

Outros 24% afirmaram que conseguiriam, mas que seria difícil. Já 18% disseram que conseguiriam passar um dia sem carro ou moto tranquilamente.

Enquanto isso, 12% responderam que não conseguiriam porque dependem de carro ou moto para se locomover.

Resultado da enquete

  • 48% — Não. Uso carro ou moto todos os dias
  • 24% — Sim, mas seria difícil
  • 18% — Sim, tranquilo
  • 12% — Não, dependo de carro ou moto

Somando os dois grupos que demonstraram dificuldade ou dependência, 72% dos participantes da enquete disseram que teriam algum tipo de dificuldade para passar um dia sem utilizar carro ou moto.

É importante destacar que a enquete foi realizada entre os seguidores do perfil do Hoje Cidades no Instagram e, portanto, não representa necessariamente a opinião de toda a população de Maracaju. Ainda assim, o resultado ajuda a mostrar como os veículos fazem parte da rotina de muitos moradores.

E se o problema não for apenas o carro?

A repercussão da primeira matéria também trouxe outra questão para o debate: as condições encontradas por quem escolhe — ou precisa — andar a pé pela cidade.

Depois da publicação, uma internauta entrou em contato e relatou ao Hoje Cidades sua experiência com a fiscalização relacionada à calçada de sua residência.

Segundo ela, a Secretaria de Obras teria feito cobranças relacionadas à adequação da calçada, incluindo uma passagem destinada à acessibilidade para pessoas com deficiência visual, alterações para o plantio de grama e também uma árvore existente no local.

A moradora, entretanto, questiona se o mesmo nível de atenção é observado em outros pontos da cidade.

Segundo o relato, ela mora em uma rua tranquila, onde há pouco movimento de pedestres, e afirma que, em toda a extensão da rua, apenas sua calçada e a do vizinho da esquina estariam, na avaliação dela, de acordo com as normas municipais.

“Eles deveriam ter essa mesma dedicação principalmente pelas frentes de prédios públicos e também pelo restante das calçadas onde tem mais fluxo de pessoas”

relatou a internauta.

Ela também questionou a aplicação das regras de maneira uniforme em diferentes locais da cidade.

O relato é uma manifestação individual de uma moradora e não representa, por si só, uma comprovação de que as regras estejam sendo aplicadas de forma diferente. Por isso, o Hoje Cidades buscará a manifestação da Prefeitura sobre a fiscalização das calçadas e as normas de acessibilidade existentes no município.

Para quem anda a pé, a calçada também faz parte do trânsito

Quando se fala em trânsito, normalmente a primeira imagem que vem à cabeça é a de carros, motos, semáforos e ruas movimentadas.

Mas existe outro personagem que também faz parte desse sistema: o pedestre.

Uma calçada com obstáculos, desníveis, buracos, árvores, postes ou outros problemas pode dificultar a circulação e, em determinadas situações, fazer com que a pessoa precise dividir espaço com os veículos.

Para idosos, pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida e até mesmo quem está empurrando um carrinho de bebê, essas dificuldades podem ser ainda maiores.

Por isso, discutir se o morador consegue passar um dia sem carro ou moto também significa discutir se a cidade oferece condições para que ele faça isso.

Maracaju está preparada para quem quer deixar o carro em casa?

O resultado da enquete deixa uma pergunta para a cidade:

Se um morador quiser deixar o carro ou a moto em casa por um dia, ele encontra condições para se deslocar com segurança a pé?

A resposta não depende apenas da vontade do cidadão.

Também envolve fatores como:

  • condições das calçadas;
  • acessibilidade;
  • segurança para pedestres;
  • distância entre os bairros e serviços;
  • qualidade das vias;
  • sinalização;
  • respeito às faixas de pedestres;
  • opções de transporte;
  • fiscalização e manutenção dos espaços públicos.

A discussão, portanto, vai muito além de simplesmente perguntar se alguém consegue “deixar o carro na garagem”.

Ela coloca em pauta que tipo de cidade Maracaju quer oferecer para quem está dentro de um carro, sobre uma moto e também para quem está caminhando pelas ruas.

Prefeitura será procurada

Diante dos comentários recebidos após a primeira reportagem e do resultado da enquete, o Hoje Cidades buscará a Prefeitura de Maracaju para saber quais ações estão previstas ou em andamento relacionadas à mobilidade urbana, acessibilidade e fiscalização das calçadas.

Também será questionado como funciona a fiscalização das calçadas, quais são as responsabilidades dos proprietários dos imóveis e do poder público e quais medidas podem ser adotadas quando uma calçada apresenta problemas que dificultam a circulação de pedestres.

A discussão continua aberta.

E você, conseguiria passar um dia inteiro em Maracaju sem carro ou moto?

Mais do que uma pergunta para uma enquete, a resposta ajuda a levantar uma discussão sobre como os moradores se deslocam e sobre as condições que a cidade oferece para quem precisa chegar ao destino sem depender de um veículo.

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