Maracaju e Ponta Porã somam déficit de mais de 2,4 milhões de toneladas na armazenagem de grãos
Problema de infraestrutura atinge 71 dos 78 municípios produtores de grãos de Mato Grosso do Sul e pode pressionar logística da safra
Por Vinicius Nunes De Andrade
Publicado em 02/10/2026 10:06
Agro

O início do ciclo agrícola 2026/2027 coloca novamente em evidência um dos principais desafios estruturais do agronegócio de Mato Grosso do Sul: a falta de espaço para armazenar a produção de grãos. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, por meio do Painel de Armazenagem do Projeto SIGA-MS, o Estado possui um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem.

O problema tem impacto direto em Maracaju, um dos principais polos agrícolas de Mato Grosso do Sul. De acordo com o levantamento publicado pelo jornal O Estado de Mato Grosso do Sul, Maracaju e Ponta Porã somam, juntas, um déficit superior a 2,43 milhões de toneladas na capacidade de armazenamento.

Estado armazena menos do que seria necessário

O diagnóstico aponta que Mato Grosso do Sul possui atualmente 17,19 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, distribuídas em 799 complexos armazenadores.

Para atender à recomendação técnica citada no levantamento, baseada em uma capacidade equivalente a 1,2 vez a produção anual, seriam necessários 29,22 milhões de toneladas de capacidade para uma produção estimada em 27,9 milhões de toneladas de soja e milho.

Com isso, a estrutura existente corresponde a aproximadamente 58,8% da capacidade considerada necessária.

O levantamento indica ainda que a deficiência de armazenagem atinge 71 dos 78 municípios produtores de grãos do Estado. Maracaju está entre os municípios que apresentam uma das maiores defasagens.

Problema pode afetar logística da produção

A falta de espaço para armazenar os grãos pode gerar consequências para toda a cadeia produtiva, especialmente durante o período de colheita.

A reportagem destaca que a insuficiência de silos e armazéns pode contribuir para a formação de filas de caminhões aguardando para descarregar a produção, aumentando a pressão sobre a logística.

Outro ponto levantado é a localização da infraestrutura existente. Segundo os dados apresentados, 88,6% dos armazéns estão próximos a rodovias federais, enquanto existe baixa presença de estruturas junto à malha ferroviária. A situação pode elevar os custos de transporte e comprometer a competitividade da produção sul-mato-grossense.

Maracaju entre os principais polos agrícolas afetados

A situação ganha importância para Maracaju justamente pelo peso do município na produção agrícola estadual.

O déficit superior a 2,43 milhões de toneladas registrado conjuntamente por Maracaju e Ponta Porã mostra que dois importantes polos produtores enfrentam limitações para armazenar a própria produção.

O problema também ocorre em um momento de abertura da safra 2026/2027, quando produtores precisam planejar não apenas o plantio e a colheita, mas também onde a produção será armazenada após sair das lavouras.

Armazenagem é estratégica para o produtor

Além de evitar congestionamentos durante a colheita, a existência de uma estrutura adequada permite ao produtor ter maior flexibilidade para definir quando comercializar sua produção.

O material publicado no jornal destaca que a armazenagem inadequada pode provocar perdas ao longo da cadeia produtiva. A reportagem cita uma estimativa de aproximadamente 34 milhões de toneladas de grãos perdidas anualmente no Brasil por falta de estrutura adequada, equivalente, em média, a 15% da produção.

Para Mato Grosso do Sul, o desafio é ampliar a infraestrutura em um Estado cuja produção de soja e milho possui forte participação na economia e na geração de negócios.

O que diz o levantamento

  • 12 milhões de toneladas: déficit aproximado de armazenagem em MS;
  • 17,19 milhões de toneladas: capacidade estática atualmente instalada;
  • 29,22 milhões de toneladas: capacidade apontada como necessária;
  • 799: complexos armazenadores no Estado;
  • 71 de 78: municípios produtores de grãos afetados pelo déficit;
  • Mais de 2,43 milhões de toneladas: déficit somado de Maracaju e Ponta Porã;
  • 88,6%: percentual dos armazéns próximos a rodovias federais.

Fonte

O Estado de Mato Grosso do Sul, edição de 2 de outubro de 2026, reportagem de Agronegócios, com dados da Aprosoja/MS, por meio do Painel de Armazenagem do Projeto SIGA-MS.

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