O início do ciclo agrícola 2026/2027 coloca novamente em evidência um dos principais desafios estruturais do agronegócio de Mato Grosso do Sul: a falta de espaço para armazenar a produção de grãos. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, por meio do Painel de Armazenagem do Projeto SIGA-MS, o Estado possui um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem.
O problema tem impacto direto em Maracaju, um dos principais polos agrícolas de Mato Grosso do Sul. De acordo com o levantamento publicado pelo jornal O Estado de Mato Grosso do Sul, Maracaju e Ponta Porã somam, juntas, um déficit superior a 2,43 milhões de toneladas na capacidade de armazenamento.
Estado armazena menos do que seria necessário
O diagnóstico aponta que Mato Grosso do Sul possui atualmente 17,19 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, distribuídas em 799 complexos armazenadores.
Para atender à recomendação técnica citada no levantamento, baseada em uma capacidade equivalente a 1,2 vez a produção anual, seriam necessários 29,22 milhões de toneladas de capacidade para uma produção estimada em 27,9 milhões de toneladas de soja e milho.
Com isso, a estrutura existente corresponde a aproximadamente 58,8% da capacidade considerada necessária.
O levantamento indica ainda que a deficiência de armazenagem atinge 71 dos 78 municípios produtores de grãos do Estado. Maracaju está entre os municípios que apresentam uma das maiores defasagens.
Problema pode afetar logística da produção
A falta de espaço para armazenar os grãos pode gerar consequências para toda a cadeia produtiva, especialmente durante o período de colheita.
A reportagem destaca que a insuficiência de silos e armazéns pode contribuir para a formação de filas de caminhões aguardando para descarregar a produção, aumentando a pressão sobre a logística.
Outro ponto levantado é a localização da infraestrutura existente. Segundo os dados apresentados, 88,6% dos armazéns estão próximos a rodovias federais, enquanto existe baixa presença de estruturas junto à malha ferroviária. A situação pode elevar os custos de transporte e comprometer a competitividade da produção sul-mato-grossense.
Maracaju entre os principais polos agrícolas afetados
A situação ganha importância para Maracaju justamente pelo peso do município na produção agrícola estadual.
O déficit superior a 2,43 milhões de toneladas registrado conjuntamente por Maracaju e Ponta Porã mostra que dois importantes polos produtores enfrentam limitações para armazenar a própria produção.
O problema também ocorre em um momento de abertura da safra 2026/2027, quando produtores precisam planejar não apenas o plantio e a colheita, mas também onde a produção será armazenada após sair das lavouras.
Armazenagem é estratégica para o produtor
Além de evitar congestionamentos durante a colheita, a existência de uma estrutura adequada permite ao produtor ter maior flexibilidade para definir quando comercializar sua produção.
O material publicado no jornal destaca que a armazenagem inadequada pode provocar perdas ao longo da cadeia produtiva. A reportagem cita uma estimativa de aproximadamente 34 milhões de toneladas de grãos perdidas anualmente no Brasil por falta de estrutura adequada, equivalente, em média, a 15% da produção.
Para Mato Grosso do Sul, o desafio é ampliar a infraestrutura em um Estado cuja produção de soja e milho possui forte participação na economia e na geração de negócios.
O que diz o levantamento
- 12 milhões de toneladas: déficit aproximado de armazenagem em MS;
- 17,19 milhões de toneladas: capacidade estática atualmente instalada;
- 29,22 milhões de toneladas: capacidade apontada como necessária;
- 799: complexos armazenadores no Estado;
- 71 de 78: municípios produtores de grãos afetados pelo déficit;
- Mais de 2,43 milhões de toneladas: déficit somado de Maracaju e Ponta Porã;
- 88,6%: percentual dos armazéns próximos a rodovias federais.
Fonte
O Estado de Mato Grosso do Sul, edição de 2 de outubro de 2026, reportagem de Agronegócios, com dados da Aprosoja/MS, por meio do Painel de Armazenagem do Projeto SIGA-MS.